Na minha cabeça, é como se eu estivesse balançando a mão no ar como
sinal de adeus. Como uma boba, porque você já viu e já respondeu, mas eu
continuo dando 'tchau' enquanto fico de pé no meio da estrada, vendo o
carro levando você embora. Ou você levando o carro embora, talvez.
Pergunto-me se você está me observando pelo espelho retrovisor, apertando o volante com as duas mãos, na espectativa de que eu volte para dentro de casa antes de você sumir no horizonte. Mas eu não volto.
Continuo lá, e do nada sinto minhas pernas falharem, como bengalas velhas, cedendo ao peso do meu corpo. Acabou. Um sentimento de ardência que se concentra nas maçãs do meu rosto, provavelmente me deixando vermelha, e tornando a minha capacidade de respirar algo impressionante, só por ainda ser feito.
Quando a poeira na estrada abaixou, quando eu parei de ouvir o barulho do motor do carro e nada mais via na minha frente a não ser a estrada melancólica de sempre, esperei mais alguns segundos para voltar a mim mesma. Se amanhã eu ainda te amar como amo hoje, espero ter um plano. Eu certamente não saberei o que fazer com esse amor todo. Queria que ele fosse no banco de carona com você. Queria que você levasse não só o carro, mas a imagem que eu carrego comigo. Seu rosto furtivo; olhos de cor sem graça, nariz de beleza duvidosa, boca desenhada e pele marcada.
Imaginei tudo o que deixaríamos de ver juntos, viver juntos, como um pecado cometido repetidas vezes, todos os dias. Eu percebi, como num susto, minha sentença ao purgatório. Que algum deus tenha piedade da mim. Que eu não me torture com a culpa do amor não amado e da vida conjunta não vivida.
Pergunto-me se você está me observando pelo espelho retrovisor, apertando o volante com as duas mãos, na espectativa de que eu volte para dentro de casa antes de você sumir no horizonte. Mas eu não volto.
Continuo lá, e do nada sinto minhas pernas falharem, como bengalas velhas, cedendo ao peso do meu corpo. Acabou. Um sentimento de ardência que se concentra nas maçãs do meu rosto, provavelmente me deixando vermelha, e tornando a minha capacidade de respirar algo impressionante, só por ainda ser feito.
Quando a poeira na estrada abaixou, quando eu parei de ouvir o barulho do motor do carro e nada mais via na minha frente a não ser a estrada melancólica de sempre, esperei mais alguns segundos para voltar a mim mesma. Se amanhã eu ainda te amar como amo hoje, espero ter um plano. Eu certamente não saberei o que fazer com esse amor todo. Queria que ele fosse no banco de carona com você. Queria que você levasse não só o carro, mas a imagem que eu carrego comigo. Seu rosto furtivo; olhos de cor sem graça, nariz de beleza duvidosa, boca desenhada e pele marcada.
Imaginei tudo o que deixaríamos de ver juntos, viver juntos, como um pecado cometido repetidas vezes, todos os dias. Eu percebi, como num susto, minha sentença ao purgatório. Que algum deus tenha piedade da mim. Que eu não me torture com a culpa do amor não amado e da vida conjunta não vivida.
Texto postado originalmente em: http://sultansroad.blogspot.com.br/2009/11/voce-nem-sabe-mas-digo-adeus.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário