terça-feira, 20 de novembro de 2012

Chuva



Da última vez que a chuva me aconteceu, eu estava pensando em você. Achei que as gotinhas fossem me salvar do seu rosto, então fechei meus olhos bem apertado e fiz disso meu milagre pessoal. Fiquei achando feliz por muito tempo até que uma buzina me acordou e me fez perceber as lágrimas que se misturavam aos pingos na minha bochecha. Tomei um susto na rua, me afastei de aonde estava, me afastei mas nada se afastava e eu soltei um soluço engasgado mal ensaiado. O gosto da água que caía era o gosto da saudade. O seu gosto. No meio disso tudo, de buzinas, casacos, vultos ensopados, eu simplesmente comecei a andar (um pouco mais rápido do que precisava), cheguei no ponto de ônibus, levantei a mão, entrei-paguei-sentei. Evitei pensar; movimentos mecânicos. Olhei pela janela e vi seu rosto molhado na rua me encarando. Eu me lembro de pensar, o gosto da saudade agora era gosto de amor. Amor. Foi amor que a chuva me trouxe. E me lembro de abrir a janela, sentir o vento frio e úmido e pensar em como eu sou previsível.

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