terça-feira, 20 de novembro de 2012

Você nem sabe, mas digo adeus.


Na minha cabeça, é como se eu estivesse balançando a mão no ar como sinal de adeus. Como uma boba, porque você já viu e já respondeu, mas eu continuo dando 'tchau' enquanto fico de pé no meio da estrada, vendo o carro levando você embora. Ou você levando o carro embora, talvez.
Pergunto-me se você está me observando pelo espelho retrovisor, apertando o volante com as duas mãos, na espectativa de que eu volte para dentro de casa antes de você sumir no horizonte. Mas eu não volto.
Continuo lá, e do nada sinto minhas pernas falharem, como bengalas velhas, cedendo ao peso do meu corpo. Acabou. Um sentimento de ardência que se concentra nas maçãs do meu rosto, provavelmente me deixando vermelha, e tornando a minha capacidade de respirar algo impressionante, só por ainda ser feito.
Quando a poeira na estrada abaixou, quando eu parei de ouvir o barulho do motor do carro e nada mais via na minha frente a não ser a estrada melancólica de sempre, esperei mais alguns segundos para voltar a mim mesma. Se amanhã eu ainda te amar como amo hoje, espero ter um plano. Eu certamente não saberei o que fazer com esse amor todo. Queria que ele fosse no banco de carona com você. Queria que você levasse não só o carro, mas a imagem que eu carrego comigo. Seu rosto furtivo; olhos de cor sem graça, nariz de beleza duvidosa, boca desenhada e pele marcada.
Imaginei tudo o que deixaríamos de ver juntos, viver juntos, como um pecado cometido repetidas vezes, todos os dias. Eu percebi, como num susto, minha sentença ao purgatório. Que algum deus tenha piedade da mim. Que eu não me torture com a culpa do amor não amado e da vida conjunta não vivida. 




Texto postado originalmente em:  http://sultansroad.blogspot.com.br/2009/11/voce-nem-sabe-mas-digo-adeus.html

Manifesto Nanquim

Alguns dias eu acordo, e não sinto sono, não sinto vontade de acordar, não sinto nada. Então, dou-me por mim; um corpo sujo de nanquim, com a pele cheia de eca de tinta. E ponho um fim nas recordações que tais manchas me trazem. Busco, instintivamente, seu amor ao meu lado, você. Seus dedos, seus pés, cabelos, braços, pelos, unhas, lábios. Mas encontro lençóis frios e macios, de uma textura que parte meu coração. Fico estática, percebendo o quão em vão foi acordar, sentindo sua falta num fluxo engarrafado na minha garganta, e freios emperrados.
As energias que me regiam agora dançam em órbita desse amor que morre em mim todo dia. Amor com remetente não localizado que, sem ter para onde ir, se esquece em mim. E morre para renascer amanhã.
Você morre. Toda vez que acordo e me lembro que te perdi, você se vai de novo, para mim. Enfim, seu destino de cetim negro carrega meus olhos de fumaça. E o que restou de mim? Essas marcas de nanquim, das tantas vezes que beijei desesperadamente minhas palavras rabiscadas em minhas cartas negadas. Jamais enviadas, jamais lidas.
Essas manchas das vezes em que me pintei as pontas dos dedos, tentando lhe enviar o amor que ainda há, que não foi enterrado e nunca será.
É sempre assim: eu acordo, lembro, amor. Como eu amo. Faço o café, banho e longas pausas encarando uma parede qualquer; seu rosto. Eu ainda amo.
Sonho com você, penso em você. Penso em como há um fim em mim, que acontece de ser o seu. Sonho que nunca terminaria, nossa vida contida num tanto de carinho que não tornarei a sentir. Como foi nossa despedida, sua morte, minha vida. E, mais uma vez, penso em como consegue ainda ser uma ironia; é, esta, nada além de outra carta para você. 




Texto originalmente postado em:  http://sultansroad.blogspot.com.br/2010/06/manifesto-da-partida.html

Chuva



Da última vez que a chuva me aconteceu, eu estava pensando em você. Achei que as gotinhas fossem me salvar do seu rosto, então fechei meus olhos bem apertado e fiz disso meu milagre pessoal. Fiquei achando feliz por muito tempo até que uma buzina me acordou e me fez perceber as lágrimas que se misturavam aos pingos na minha bochecha. Tomei um susto na rua, me afastei de aonde estava, me afastei mas nada se afastava e eu soltei um soluço engasgado mal ensaiado. O gosto da água que caía era o gosto da saudade. O seu gosto. No meio disso tudo, de buzinas, casacos, vultos ensopados, eu simplesmente comecei a andar (um pouco mais rápido do que precisava), cheguei no ponto de ônibus, levantei a mão, entrei-paguei-sentei. Evitei pensar; movimentos mecânicos. Olhei pela janela e vi seu rosto molhado na rua me encarando. Eu me lembro de pensar, o gosto da saudade agora era gosto de amor. Amor. Foi amor que a chuva me trouxe. E me lembro de abrir a janela, sentir o vento frio e úmido e pensar em como eu sou previsível.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Animações

Diferente do que muitos pensam, animações não são exclusivamente feitas para crianças. Embora a maioria seja, sim, criada com uma linguagem adaptada para o público infantil, as mensagens, piadas e a moral das histórias muitas vezes são mais fortes e bonitas para os adultos. Aliás, o mesmo acontece com livros. Já trabalhei lendo livros para crianças, e, na maioria das vezes, eu fui a única a me emocionar, enquanto os bebês riam de mim (claro :b). Aqui estão alguns dos meus favoritos ultimamente:


The Fantastic Flying Books of Mr Morris Lessmore 

Eu me apaixonei tanto por esse que comprei até o livro que inspirou o curta! É perfeito!
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    Alma

    Alma é um curta muuuuuito bizarro. É até meio assustador. Por isso eu gosto dele. No mínimo, é original e inusitado.

     

    Zero 

    Esse é meio triste, mas é muuito fofo, e eu acho que todo mundo pode se identificar com o Zero, de uma maneira ou de outra. O final é meio esquisito, mas é bonito haha

      

    Esses são últimos que eu assisti e que mais me marcaram (: