quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
22:22
Começou a ventar forte, o vento esbarrava no vidro do carro. Um cachorro
latiu e foi silenciado pelo som crescente das folhas das árvores batendo em si mesmas. Era noite. Uma
pessoa saiu de um carro com náuseas. Uma porta bateu em algum lugar
longe, longe o bastante para parecer mentira e ainda assim ser ouvida. Um carro passou lentamente na rua, rente à calçada. O vento
empurrava a pessoa, que caminhava apressada segurando-se
aos seus cabelos. Um monte de papel usado formava um redemoinho determinado em
um canto sujo. Vultos no escuro. Uma pessoa olhou em volta, procurando
rostos?, que rostos.. Essa pessoa chegou, enfim, entrou intrusa na própria casa. Correu até a janela, abriu -vento - olhou para baixo. Lá
estava o carro, acelerando em direção contrária. Aquela pessoa
continuou olhando o meio-fio e percebeu que perdera o foco, percebeu que sentia mais alguém ali, alguém no vento. A rua era banhada pelo luar doentio, reluzindo a cor duvidosa do asfalto molhado. Uma outra pessoa, em uma outra janela, tapava os
olhos com as mãos.
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